Influências

Antes de mais, esta obra é uma carta de amor à cidade de Lisboa: à sua longa história, à sua arquitetura, à sua geografia, ao seu papel no império português e nos destinos do próprio mundo. É uma antologia que procura dar à nossa capital a merecida grandeza que outras ficções populares deram à Londres vitoriana ou à Nova Iorque do início do século XX. Não é necessariamente a Lisboa com a luz mágica que encanta os turistas, muitas vezes será a Lisboa escura, suja, cheias de segredos e podres. A maior influência deste livro é a obra de Eça de Queirós. No colorido, nas exposições, no humor, tentei recuperar o seu estilo e a sua voz; sabia que era impossível consegui-lo, a prosa de Eça continua a ser inigualável na nossa ficção, mas, como dizia Leo Burnett, «Quando almejas as estrelas, podes não as agarrar, mas também não ficas com as mãos cheias de lama.»

Depois de Eça, o autor mais influente foi H. P. Lovecraft. Há um pouco de Arkham nesta Lisboa, um pouco de Innsmouth, e apesar de nunca pretender que a mitologia lovecraftiana (Cthulhu Mythos) fizesse parte do universo de Tormenta, penso que ela acabou por se infiltrar pelas frestas de alguns contos. E ainda bem! Este livro seria impossível sem os comics magníficos de Mike Mignola. Não só o seu traço é um dos mais belos e originais, mas os seus enredos parecem escritos só para mim. Admiro as suas tramas, a sua escuridão, os seus personagens, muitos deles poderiam visitar Benjamim Tormenta em Lisboa e sentir-se em casa.

Logo depois há a presença subtil de Arthur Conan Doyle, fundamentalmente do seu Sherlock Holmes, cujas aventuras me fascinam desde tenra idade. A prosa de Conan Doyle é magnífica, mas a série de televisão com Jeremy Brett fez-lhe justiça, e esse visual de época, que entretanto foi aprimorado com outras séries como Taboo, Ripper Street ou Penny Dreadful, ajudou-me também a viajar para a Lisboa do século XIX.

Não podia deixar de mencionar um autor que nunca sairá do meu top três da banda desenhada: Edgar P. Jacobs. Ramanujan é uma homenagem ao seu Nasir, mas o espírito das aventuras de Blake & Mortimer fazem de tal maneira parte do meu imaginário, que muitas descrições das aventuras de Tormenta poderiam ser feitas enquanto olho para uma das páginas de A Marca Amarela ou de O Mistério da Grande Pirâmide.

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